
Seis décadas depois de criada a
Vila de Guaratinguetá, um certo capitão José Correia
Leite, adquiriu terras em Tetequeras, nas margens do Rio Paraíba
do Sul, cerca,de três léguas abaixo de Pindamonhangaba. O
Porto existente em sua fazenda, ficou então conhecido pelo nome
de Porto José Correia Leite (atual Porto Itaguaçú).
Em dezembro de 1716, o rei D. João V, nomeou D. Pedro Miguel de
Almeida Portugal e Vasconcelos, conhecido como Conde de Assumar, para
governar como Capitão General a Capitania de São Paulo e
Minas Gerais, que pouco depois seria desmembrada em duas, por sugestão
dele mesmo. Foi homem importante, viria a ser mais tarde vice-rei da Índia.
Embarcou no Rio de Janeiro para Angra dos Reis, Parati e Santos, daí
galgou a Serra do Mar e foi a São Paulo, onde tomou posse em 04
de setembro de 1717. Pouco depois seguiu para Minas Gerais, pela chamada
estrada real, hospedando-se com toda sua comitiva em Guaratinguetá
de 17 a 30 de outubro, à espera de suas bagagens que deixara no
porto de Parati.
A Câmara Municipal da Vila de Santo
Antonio de Guaratinguetá viu-se em apuros para abastecer a mesa
de tão ilustre visitante, por isso convocou os pescadores Domingos
Garcia, Felipe Pedroso e João Alves, e os mesmos saíram
em pescaria pelo Rio Paraíba. Desceram e subiram o rio várias
vezes e nada conseguiram, chegando ao Porto "José Correia"
o pescador João Alves arremessando sua rede às águas
do Rio Paraíba sentiu que algo ali se prendera, puxou-a de volta
ao barco e viu que se tratava de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição,
sem a cabeça. Arremessou novamente a rede e apanhou a cabeça
da imagem. Os três pescadores sem nada entender continuaram a pescaria,
quando para surpresa de todos os peixes surgiram em abundância para
aqueles homens.
Segundo o relato daquelas humildes pessoas,
foram tantos peixes logo conseguido, depois de “aparecida”
a imagem, que a canoa ficou cheia. Até ameaçava afundar.
Alegraram-se muito com o ocorrido e foram levar o pescado à Câmara
Municipal de Santo Antonio de Guaratinguetá, mas primeiro passaram
pela casa de Felipe Pedroso e deixaram a preciosa encomenda confiada aos
ciudados de Silvana da Rocha, mãe de João, esposa de Domingos
e irmã de Felipe. Puseram-na dentro de um baú, enrolada
em panos, separada uma parte da outra.
A casa de Silvana foi o primeiro oratório
que teve aquela imagem, e ficou com ela cerca de nove anos, até
1726, data provável de seu falecimento. O marido e o filho, Deus
já os chamara antes. Assim tornou-se herdeiro da imagem seu irmão,
Felipe Pedroso, o único sobrevivente da milagrosa pescaria. Sua
casa foi o segundo oratório, por seis anos, perto da Ponte Sá
(proximidade da atual Estação Ferroviária) e também
o terceiro, por mais sete anos, na Ponte Alta, para onde se mudara. Em
1739, Felipe Pedroso mudou-se mais uma vez, já velho, para o Itaguaçú,
e fez a entrega da imagem a seu filho Atanásio. Até então
a imagem ficava dentro do baú, guardada, e só era tirada
de lá nas horas da preces, quando era posta sobre uma mesa. Na
casa de Atanásio Pedroso, que ficou sendo seu quarto oratório,
ela passou a ter altar e oratório de madeira, feitos por ele. Chamava
sempre parentes e amigos e com eles rezava o terço e entoava cânticos.
O número de devotos começou a aumentar, alguns sentiram-se
favorecidos por graças e até por milagres, que apregoavam.
A fama da Santa Aparecida foi crescendo e a notícia dos prodígios
chegou aos ouvidos do vigário da Paróquia, Padre José
Alves, que mandou seu sacristão, João Potiguara, assistir
as rezas e observar. Baseado nas informações desse, e tendo
ouvido outras pessoas, resolveu o vigário construir uma capelinha
ao lado da casa de Atanásio, que, nessas alturas, estava morando
no Porto Itaguaçú, onde a imagem fora encontrada.
Consta que o vigário quis levar
a imagem para Guaratinguetá, levou-a por duas ou três vezes,
mas o povo ia às escondidas e a trazia de volta. Depois corria
a notícia de que a imagem fugira de volta para o bairro Itaguaçú.
Resolveu o padre José Alves Vilela, no ano de 1743, construir uma
Capela no alto do Morro dos Coqueiros, a qual terminou sua construção
dois anos depois, abrindo a visitação pública em
26 de julho de 1745 (dia consagrado a Santa Ana), dia em que foi celebrada
a primeira missa.
Assim, 28 anos depois de “aparecida”
a imagem nas águas do Rio Paraíba do Sul, ela teve sua capela,
que iria durar 138 anos, até 1883.
Em 1894, chegou em Aparecida um grupo
de padres e irmãos da Congregação dos Missionários
Redentoristas, para trabalhar no atendimento aos romeiros que acorriam
aos pés da Virgem Maria para rezar com a Senhora ”Aparecida”
das águas.
No dia 8 de setembro de 1904, D. José
Camargo de Barros coroou solenemente a Imagem de Nossa Senhora Aparecida.
Em 29 de abril de 1908, a igreja recebeu o título de Basílica
Menor, passados vinte anos, no dia 17 de dezembro de 1928, a vila que
se formou ao redor da Igreja no alto do Morro dos Coqueiros tornou-se
Município, e em 1929, Nossa senhora foi proclamada Rainha do Brasil
e sua Padroeira oficial, por determinação do Papa Pio XI.
Com o passar do tempo o aumento do número
de romeiros foi aumentando e a Basílica tornou-se pequena. Foi
então que os Missionários Redentoristas e os senhores Bispos
iniciaram no dia 11 de novembro de 1955 a construção da
atual Basílica Nova, o maior Santuário Mariano do Mundo.
Em 1980, ainda em construção, recebeu o título de
Basílica Menor pelo Papa João Paulo II. Em 1984, foi declarada
oficialmente Basílica de Aparecida Santuário Nacional, pela
CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).
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